Olá Felicidade

- Onde eu posso encontrar alguem que me faça feliz, como nunca antes e nem depois, eu serei? - perguntou o aluno ao seu mestre. - Ah amado aprendiz, essa é uma pergunta que merece ser respondida! Vá até aquela caverna no alto da montanha, lá irá encontrar o seu próximo mestre que lhe elevará a felicidade plena se seguires o que indicar o seu coração. - centenas de metros de uma subida íngreme e dificil e eis que o aprendiz alcança a entrada da caverna. O lugar era frio e umido, mas la dentro no fundo havia luz. Ao aproximar-se notou que havia uma fogueira e alguem o observava. O aprendiz aproximou-se e quando estava frente a frente, viu o seu próximo mestre.
    Uma música intermitente vinda do despertador o acorda.
- Puxa! Que sonho real, parecia que estava lá, na caverna. Estava prestes a descobrir a verdadeira felicidade... Bom, tenho de acordar isso não passa de um sonho inútil. Bem-vindo a rotina da vida real! – Dizia para si. Mas, lá no fundo algo estava diferente. Ele se olhou no espelho enquanto fazia a barba (de alguns fios que sempre insistem em nascer pela madrugada), e ao se observar olhou profundamente nos seus olhos. Não se reconheceu. Pela primeira vez em muito tempo não olhava assim para si mesmo.
- Pare de pensar bobagens, foi apenas um sonho! Vamos, vamos, desperte e vá para o trabalho, isso é a vida! – Falava para si enquanto batia levemente nas bochechas. Um pulo para a cozinha uma xícara de café engolida às pressas e logo estava dentro do metrô. Inúmeras pessoas, cada uma parecia viver em seu próprio mundo. Raramente se ouvia um bom dia ou se olhavam nos olhos. Pareciam autômatos. Fazia tempo que ele não observava isso!
Quem seria aquele ser que adentrou a caverna e se aproximava de mim? Faz tanto tempo que estou aqui, meditando sozinho a espera de que apareça meu discípulo que as vezes penso que ele nunca vai chegar. Acho que não era ninguém. Minha mente deve ter me pregado uma peça. – O monge assim pensou e voltou a meditar.


    O metrô seguia velozmente rumo as próximas estações e pensamentos pululavam na mente daquele jovem:
- Não consigo me desvencilhar daquele sonho. Ele está como que impregnado em mim, basta fechar os olhos e lá está ele, vívido. É como se não fosse um sonho. Estou longe ainda da minha estação, quem sabe se fechar um pouco os olhos e me recordar dos detalhes. – E uma vez mais o deus do sono o levava para suas terras. Adormecido profundamente logo uma sucessão de sentimentos, frio, curiosidade e surpresa tomaram conta dele.
- Que? Estou novamente aqui, na entrada da caverna? Mas sei que estou sonhando, devo estar agora no vagão do metrô rumo ao meu serviço e meu corpo deve ter adormecido. Mas como isso pode estar acontecendo?
- Venha entre logo ou vai congelar aí! – Dizia a voz que vinha de dentro.
A caverna estava preenchida pelo brilho bruxuleante que vinha das chamas da fogueira. O mestre estava não muito distante dele. Sentado em posição de lótus.
- Sente-se e ouça! Eu e você fazemos coisas diferentes, temos vidas diferentes. Mesmo assim, ambos buscamos na vida pela felicidade!
- Sim mestre, por isso estou aq...
- Shhh, apenas ouça! Disse o mestre ao ser interrompido. O aprendiz silenciou e aqueceu-se nas chamas ouvindo atentamente as palavras.
- Poderia lhe dizer que a felicidade está dentro de você e de mim, mas, isto seria muito vago. Não desejo confundi-lo nem a ninguém. Pelo contrário, quero esclarecer para que sejam verdadeiramente felizes. Estou nesta caverna há muito, muito tempo. E encontrei a felicidade! Você está lá fora e buscou a felicidade nas coisas externas, materiais. Mudou constantemente a procura da plena felicidade. Mudou de mulher, de veículos, de roupas, de residências e por fim deu-se conta de que nenhuma dessas mudanças o tornou verdadeiramente feliz, e por isso está aqui, não é mesmo? – Fez-se um silencio por minutos.
- Eu fiz uma pergunta. Agora você pode falar! – Sorriu e em seguida soltou uma sonora risada.
- Há, há, há, há, há!
- Não sei por que ri! Você é louco? – Respondeu num desabafo o aprendiz. – Mas as palavras que disse... sim, é verdade! Procurei a felicidade em todas estas coisas que falou e em muitas outras. Era como se perseguisse uma miragem.
- Há há, há, há, há, há, há! Então pensa que sou louco? Estou rindo porque também já procurei a felicidade como você em inúmeras coisas e pessoas, lá fora! Vou lhe contar o segredo da felicidade e por que muitos não a encontram.
- Ei moço acorda! Estamos chegando na última estação do metrô. – Falava um garoto, tocando-lhe o ombro. Mais uma vez o aprendiz acordava para o seu mundo. Ainda sonolento, esfregou de leve os olhos e respirou fundo.
- Puxa vida estava tão perto de saber o que ele tinha para me falar. QUE SONHO LOUCO MEU IRMÃO. Vou parar de misturar as biritas. – Falava para si, baixinho, quase um murmúrio. Mas que não passou despercebido de uma pessoa que o observava.
- Bom, já que você deixou a montanha, eu vim até você! O mestre estava de sobretudo e chapéu. A gola alta não permitia ver o seu rosto. Ao reconhecer a voz o aprendiz ergueu os olhos e o viu a sua frente. Com um misto de espanto e confusão mental ele perguntou:
- Eu reconheço essa voz! Mas como você está aqui?? Eu estava sonhando!?
- Bem, agora eu é que estou sonhando e você está no meu sonho! Posso me sentar ao seu lado? – O vagão sacolejava um pouco, estava chegando a estação.
- Para encontrar-se com a verdadeira felicidade e se enamorar dela, você tem de ir além de uma simples filosofia ou crença! Não basta apenas pensar que se é feliz ou coisas do tipo. Primeiro deves ter em mente o conhecimento correto sobre as coisas e isso é um dos caminhos. Se pegares um tijolo e pensares que ao lapidar ele, vais torna-lo um diamante não conseguirá, não é mesmo? E existem tantas pessoas que teimam em transformar tijolos em diamantes...
- E o que isso tem a ver com a felicidade? Tijolos, diamantes, não entendi! – Falava, agora com as duas mãos ao rosto, esfregando as bochechas, abrindo e fechando a boca, como num exercício de caras e bocas. Estava confuso, múltiplos pensamentos e sensações passavam por ele.
- O conhecimento verdadeiro liberta. Mas, a ignorância aprisiona. Entende isso? Somos inundados por inúmeras fontes de informações a maioria delas nos diverte, distrai e nos aprisiona. Poucos conhecimentos te deixam livre. Assim, confusos tentamos fazer um tijolo virar diamante quando devíamos pegar um diamante bruto e torná-lo aquilo que ele pode se tornar, entendeu?
Por sorte nós os seres humanos, fomos feitos para sermos felizes! Somos como o verdadeiro diamante, mas ainda em estado bruto. O diamante bruto é feio, sem brilho, mas quando lapidado ele nos mostra toda a sua beleza. A busca desenfreada por coisas materiais nos coloca longe de nossa felicidade pois a buscamos fora e não dentro de nós.
- Mas é errado querer as coisas? Ter uma boa vida material? Eu não quero viver em uma caverna comendo ervas e meditando na solidão o tempo todo como você! – Falava o aprendiz, extremamente sincero. O metrô anunciava que a última estação havia chegado.
- Ei belo adormecido acorde! – uma voz doce como o aroma de café fresco o despertou! Estava exausto embora tivesse dormido profundamente. Talvez pelo sonho que tivera ou pelas informações que obtera ou por pensar que o sonho dentro de um sonho fosse real. Mas tudo, toda confusão mental desapareceu de sua mente quando os seus olhos viram a mulher mais linda do mundo bem ali, na sua frente!
- Querido tenho de ir, a minha pesquisa no CERN* esta na fase final! Sabes que sem mim aquela equipe não funciona! – falava ela, largo sorriso. Doutora em física quantica e líder de uma das mais importantes pesquisas jamais realizada até então. Ela uma cientista, ele um artista. Compreendia pouco sobre o universo de sua companheira. Ela sempre dizia que a comprovação de suas pesquisas iria mudar o mundo. Ele sabia que ela ja havia mudado o seu mundo e isso só por si ja bastava para ele. Como artista ele sabia que a intuição leva a descobertas as vezes inusitadas e surpreedentes. E procurava ajudar com sua parte, com sua arte. Ela sentia-se bem, havia um equilibrio perfeito entre razão e emoçao.
- Vamos no meu carro hoje, deixo você no estúdio e logo ja chego no CERN, tenho um café pronto aqui, beba no carro. – disse puxando-o da cama, quase o arrastando. – Prometo que após as pesquisas vou compensar minha “ausência”. – dizia sorrindo.
- Hoje não vou ao estúdio... Posso conhecer o CERN?
- Que novidade? Por que o súbito interesse?
- Sei lá, quero conhecer seu trabalho! Você sempre fala dele com tanta paixão!
    Minutos depois já estavam nos laboratórios do CERN. Tudo lá era gigantesco, varios laboratórios, cada um fazendo uma pesquisa diferente.
- Este zumbido, quase inaudível o que é? – perguntou ele, sentindo-se um pouco zonzo.
- Não ouço nada, voce ainda deve estar com sono. O acelerador esta ativo, fique aqui e sente-se, tenho que ver os monitores e já volto.
- Sim, vou me sentar e recostar minha cabeça. – nem bem terminava de falar as palavras, uma vez mais encontrava-se dentro da caverna junto com o mestre.
- Você demorou para voltar. Pegue! – dizia o mestre, jogando uma fruta na sua direção.
- Opa! Uma maçã! Bom ainda não tomei meu café, se bem que estou sonhando então, ha ha ha. Isso esta ficando divertido!
- Sim esta! Mas isso não é um sonho! Vou aproximar-me para que veja o meu rosto, mas quero que permaneça calmo!
- Claro, com certeza voce não pode ser mais feio que eu! Sorriu e depois deu uma mordida na maçã. O mestre aproximou-se, ficou a frente do aprendiz e tirou o capuz que cobria parcialmente seu rosto.
- Coff, coff coff. Oh meu Deus!!! Isso não pode ser?
- Sim, mas é! – dizia o mestre, repousando as mãos nos ombros do aprendiz. Calma, recomponha-se! Vou lhe explicar! Quando da primeira vez que eu aqui o esperava, não sabia como voce seria, se viria um homem ou uma mulher, jovem ou velho, quais crenças que teria ou o que o motivara realmente a vir me procurar para atingir ou completar seu treinamento sua busca pela felicidade. Questionava-me se tinha valido todo o esforço de minha vida em praticas ascetas, em ficar longe das pessoas, em não ter uma família ou uma mulher. Não juntei dinheiro, nao tive carros, nem roupas bonitas, nao fui em festas.
- Calma lá! Voce disse numa outra vez que eu estive aqui, que havia passado por tudo isso que eu passei, como é isso? Esta se contradizendo. E eu quero saber mesmo é porque voce esta com a minha cara!?
- Ha ha ha ha ha. Aí esta a resposta para sua pergunta! Quando voce entrou na caverna a primeira vez e reconheci seu rosto como o meu, minha mente ilunimou-se por completo, adentrou mais uma vez no Nirvana! Eu vivi tudo o que viveu, através de voce! Somos a mesma pessoa embora em dimensões diferentes. Nosso espírito é tão grandioso que uma existencia apenas não basta para apreender estas experiencias. O Multiverso esta repleto de várias dimensões e temos varios eus facetados em experiencias diversas em cada uma delas.
- Cara, essa coisa ta indo muito alem do que minha cabecinha pode acompanhar. – dizia, sentando na beira da caverna. Gigantescas montanhas com o cume branquinho coberto por neve que jamais derretia. O céu estava um azul infinito. O mestre sentou-se ao seu lado e continuou a falar.
- Não precisa ficar confuso, na verdade, somos todos um! Quando tranquilizar seu coração e perceber a maravilha que é a criação do Multiverso e o Amor por tras de tudo isso vais entender o que eu digo. Respire fundo, sinta-se conectado. Nunca esteve sozinho, nunca esteve doente, nunca esteve morto, nunca esteve perdido. Com a noite caminhando no escuro voce nao ve o caminho e ao nascer do sol a luz lhe permite seguir em frente, assim é. Voce vai acordar agora! Basta que lembre que voce eu e todos nós sempre estaremos unidos por laços invisíveis. Quando precisar de alguma informação, respire, conecte-se e tera a informação que precisa. Tudo sempre esteve aí, tão perto e tão distante. Com uma Viagem ao Centro da Alma irá encontrar cada vez mais força espiritual e felicidade pois ela é infinita.
- Ei acorde, a experiencia foi um sucesso! Meu talismã! – dizia beijando-o longamente!


*CERN é o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado em Meyrin, na região em Genebra, na fronteira Franco-Suíça

Agradecimento pela foto, Manuela Bruscatto

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