POR ESTAR PERDIDO VOCÊ IRÁ ENCONTRAR SEU MESTRE




Por estar perdido, você irá encontrar seu mestre

Certa vez, um ousado jovem viajou para as distantes terras do Oriente, até as majestosas montanhas do Tibete.

Ele estava "perdido".  Não no sentido geográfico, pois com o GPS em mãos não havia maneira de perder seu caminho ou sua rota. Aquele jovem, antes cheio de sonhos e esperança estava num ponto de sua vida em que havia perdido a razão de viver.

Quando criança era extremamente inteligente e, desde muito cedo, tinha aprendido muitas coisas sobre o céu a terra e o ar. Sobre o mundo e suas nuances. Mas, a mais difícil lição e o maior aprendizado enquanto ainda muito jovem viria com a doença e morte de seu pai. Na ocasião da doença do seu maior amigo que era seu pai, aquela criança por ser tão inteligente e ter sua sensibilidade muito desenvolvida, sentia o sofrimento e a dor dele como se fossem sua. E esse sofrimento lhe queimava a alma. Ver seu pai sofrer o fazia sofrer ainda mais e a criança não entendia o porquê de tanta dor.
Passaram-se alguns anos. O pai em agonia definhava dia a dia e o filho, a criança, vendo todo aquele sofrimento do seu pai, sem que pudesse ajudá-lo, deixava-o com um sentimento de impotência perante a vida. E foi assim até que a criança completasse 13 anos.
Seis longos anos vendo seu pai definhar até virar um vegetal, onde sua mãe cuidava daquele homem que um dia jogava bola com seu filho, e que agora não era nem a sombra do que havia sido um dia. - Deus? - Pensava o menino raquítico. - Que Deus poderia ser assim tão louco a ponto de permitir que uma família, sofressem tanto? - Não existiria um Deus assim, era melhor acreditar apenas nos homens e na ciência. - - pensava.

Para o menino, a realidade crua estampada a sua frente não lhe permitia sonhar com um Ser maravilhoso que tudo pode (Deus) e que salva as pessoas, se ele via sua mãe aos prantos pedindo para que esse tal de Deus viesse a ouvi-la e vir a curar seu marido, e que não deixasse seu filho órfão. Mas não obteve nenhuma resposta deste Deus e, finalmente, após um longo sofrimento para todos, o sopro de vida deixou a carcaça do que antes havia sido um homem, um pai de família exemplar.
Infelizmente para o menino de treze anos o sofrimento não havia terminado, estava apenas começando. A dor dilacerava sua alma como animais rasgando sua carne. E procurando algo com que pudesse aliviar aquela sua dor o menino iniciou uma longa e árdua busca para mitigar a sede de sua alma. Para curar as feridas abertas do seu coração.
Longos e espinhosos anos de aprendizado solaparam a alma atormentada do jovem até que estivesse pronto a desaprender tudo o que pensava ser certo, tudo o que aprendera sobre a vida a morte o universo e tudo o mais. E essa sua busca o levou a inúmeros lugares, inúmeras religiões, inúmeras crenças e a muitos charlatões ao longo desta estrada sinuosa rumo ao autoconhecimento.
Finalmente após longos e exaustivos anos, sua busca interior o levou até o topo do mundo, até as montanhas do Himalaia no Tibete:
- Estou numa encruzilhada. Existem muitos caminhos, mas não sei qual deles seguir. Na verdade já não tenho certeza de mais nada nessa vida. Nem sei se estou lúcido o suficiente para discernir uma coisa da outra. O que eu faço aqui neste lugar esquecido, longe da civilização?Devo ter perdido a razão! Só um homem insano sairia à procura de um mestre que dizem ter as respostas a todas as suas perguntas. Dizem que "ele" mora no Everest, mas até agora só encontrei camponeses e iaques (boi selvagem das regiões glaciais e desérticas do Tibete).
- ONDE VOCE ESTA MESTRE? VOCE TAMBEM NÃO EXISTE! É MAIS UM ENGODO CRIADO PARA ILUDIR AS PESSOAS INGENUAS, QUE ASSIM COMO EU, AINDA ACREDITAM QUE POSSA HAVER UMA RESPOSTA PARA AS MINHAS PERGUNTAS.
- Droga de nevasca, recomeçou! Este lugar é um inferno de gelo! Tenho que encontrar um abrigo rapidamente ou morrerei aqui neste fim de mundo! - ao concluir a frase teve a impressão de ouvir uma frase soprada pelo vento gélido que descia das montanhas - POR ESTAR PERDIDO VOCE IRA ENCONTRAR SEU MESTRE!

- Quem disse isso? - perguntou o jovem, assustadíssimo! - mas a razão logo lhe veio à cabeça e pensou que aquilo era um sintoma da solidão, do frio e do ar rarefeito que já deviam estar cobrando o preço por aquela incursão arriscada atrás do que agora acreditava ser um mito.
Alguns passos depois tudo que não havia nevado ate aquele momento decidiu juntar-se para presentea-lo com uma nevasca sem precedentes.
Por sorte antes que o branco da neve ficasse tão espesso aponto de não ver o seu próprio nariz, ele havia avistado uma caverna não muito longe dali. Confiando nos seus instintos seguiu em direção ao topo da montanha para a gruta que seria a sua salvação, seu abrigo, ate que a borrasca resolvesse dar uma trégua ao jovem desbravador.
Ao chegar a entrada da caverna já não era possível ver mais nada. Escuridão absoluta! LEMBROU DA LANTERNA QUE TINHA NA SUA MOCHILA pegou-a e logo a luz preencheu o ambiente, tornando-o menos assustador. Decidiu ir mais para o fundo da gruta, pois pareceu ter visto algo como um vulto, talvez de algum animal que assim como ele resolvera usar a caverna como abrigo.
- Se for algum animal selvagem será melhor morrer no frio la fora do que dilacerado ate os ossos por uma fera das montanhas. - pensou. Mas, seguindo um pouco mais a frente silenciosamente ele viu, para sua surpresa, não era o vulto de um animal, mas de um homem, que caminhava bem na sua direção.
- Hei, senhor? Desculpe por entrar assim! Mas a necessidade de um abrigo contra a tempestade forçou-me a isso! Logo que amanhecer e ter condições de descer a montanha, irei embora! - falou, um pouco tremu-lo. Já não diferenciava se por frio ou por medo ou pelos dois. 
O homem nada respondeu. Ele aguardou em silencio e recebeu na mesma moeda. Não havia mais nem um som, nem uma palavra. O jovem estranhou aquela atitude, respirou fundo, criou coragem e, lanterna em punho, resolveu aproximar-se mais do homem da caverna. Um passo, dois, três, varios passos e...
Foi o susto maior de sua vida ao deparar-se com uma enorme parede de gelo que refletia sua própria imagem como se fosse um espelho gigante feito de gelo!
- POR ESTAR PERDIDO VOCE ACABA DE ENCONTRAR SEU MESTRE. SEJA AGORA MESTRE DE SI MESMO! A mesma voz que ouvira antes de adentrar a caverna e que agora se fazia ainda mais claro para ele. Sim! Agora percebia que aquela era a voz da sua própria consciencia lhe dando as respostas que por tanto tempo havia procurado fora de si mesmo, mas que o tempo todo estava tão perto, ali, dentro de si próprio.
Num estado de plenitude (Nirvana) o jovem encontrara suas respostas e seu caminho:
- Eu e mais ninguém... Sou senhor de mim mesmo!

                                                                                                             J. C. Zeferino

Comentários

  1. MARIA HELENA FLOR30 de junho de 2013 11:54

    UM TEXTO BONITO. A LEITURA FLUI COMO QUE SE BUSCANDO...SE BASTANDO...E POR FIM...UM GRANDE ENSINAMENTO.TAL ENSINAMENTO:(O DE QUE O HOMEM ENCERRA EM SI TODA A SINTESE DO UNIVERSO) É A "VERDADE" QUE PAUTA TODA TEORIA QUE NORTEIA MEU TRABALHO HOJE.DIRIA QUE(A ESCURIDÃO, A TEMPESTADE, A MONTANHA,A SOLIDÃO, O MEDO...SÃO AS CIRCUNSTANCIAS)QUE DETERMINAM A DESCOBERTA.
    LINDO. POSSO DIZER QUE VC É COMO A PEDRA PRECIOSA NO MEIO DO PEDREGULHO, ONDE É PRECISO UM OLHAR ATENTO DE UM PERITO, PARA PERCEBER O SEU VALOR.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. MESTRA M. HELENA, MUITO OBRIGADO POR SUAS PALAVRAS DE ELOGIO. ELAS ME INCENTIVAM A CONTINUAR ESCREVENDO ESSA "VERDADE" EM FORMA DE HISTÓRIAS PARA CADA VEZ MAIOR NUMERO DE PESSOAS. GRATIDÃO

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  4. Emocionada, me reconheço em algumas encruzilhadas pelas quais já passei, não sem antes ter-me deparado com aquelas inúmeras trilhas as quais convidam a segui-las, mas sem certeza de qual escolher.
    Parabéns, JCZeferino!!! Amo o que escreves e, aos poucos, estou aqui te "descobrindo".

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